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Setembro 2, 2021

Mitos e verdades sobre Veganismo e Gravidez

Mitos e verdades sobre Veganismo e Gravidez
Um dos assuntos sensíveis quando alguém procura saber como se tornar vegano está relacionado com a maternidade. Afinal de contas, é um período super importante nas vidas de qualquer mãe e família, na qual todos os cuidados de saúde são poucos. Mas as notícias são animadoras: não há um risco particular associado a grávidas com dietas do tipo vegano. A longo prazo, já se sabem os benefícios para a saúde – e para o planeta, claro - de se ser vegetariano ou vegano, mas qual é o verdadeiro impacto durante os 9 meses de gestação?

Lembremos, antes de mais, quais as recomendações da Direção-Geral da Saúde sobre a alimentação vegetariana: a entidade refere que “este padrão alimentar é apropriado para todas as fases da vida” e que “pode ser adaptada a todas as fases do ciclo de vida, incluindo a gravidez, lactação, infância, adolescência e em idosos ou até atletas.” As Linhas de Orientação para uma Alimentação Vegetariana Saudável, documento do Programa Nacional para a Alimentação Saudável e da Direção-Geral da Saúde, referem, contudo, que os referidos “ciclos de vida” implicam um bom planeamento e acompanhamento - ainda mais do que para um adulto normal. Afinal de contas, não se trata só de ir a um restaurante vegan de vez em quando, mas de assumir um estilo de vida com escolhas importantes que representam mais do que “só” comida. E há contextos – como a gravidez - em que os cuidados devem ser redobrados. Mas antes de mergulharmos no assunto, importa, antes de mais, definir o que é ser vegano e o que é ser vegetariano. Em que é que a dieta vegan difere da dieta do tipo vegetariano? O que é “isso” de comida vegan? A alimentação do tipo vegetariano pode ser classificada em quatro dimensões:

  • Vegana ou vegetariana estrita – não come nenhum alimento de origem animal. Para além disso, um vegan não consome quais produtos com origem animal (por exemplo, roupa e cosméticos);
  • Ovolactovegetariana – não come carne e pescado, mas come ovos e laticínios;
  • Lactovegetariana – não come carne, pescado e ovos, mas come laticínios;
  • Ovovegetariana – não come carne, pescado e laticínios, mas come ovos.

Dieta vegan e gravidez

Tendo em linha de conta que o ponto de partida deve ser um bom planeamento e que o caminho será acompanhado por profissionais,  a “alimentação vegetariana poderá estar associada a diversos benefícios de saúde durante a gravidez, nos quais se incluem um menor risco de operação cesariana, depressão pós-parto, morte neonatal e maternal, hipertensão e outras complicações”, de acordo com um artigo da Associação Vegetariana Portuguesa.

Comida vegan e gravidez: os nutrientes (ainda mais) necessários

De acordo com o mesmo artigo, a gravidez traz desafios particulares ao corpo, pelo que há determinados nutrientes que devem ser tidos em consideração durante este ciclo de vida: calorias, proteína, Ómega-3, Vitamina B-12, ácido fólico, ferro, Iodo e cálcio. E em que alimentos se podem encontrar estes nutrientes?

Calorias

Fontes alimentares de base vegetal (atenção: não processadas);

Proteína

Leguminosas, cereais integrais, frutos oleaginosos, sementes, quinoa, etc.;

Ómega-3

Nozes e sementes de chia, linhaça ou cânhamo;

Ácido fólico

Alimentos de cor verde-escura e leguminosas, laranja, cereais e produtos fortificados (bem como suplementação extra, para atingir os valores ideais);

Ferro

Leguminosas, cereais integrais, vegetais de cor verde-escura, frutos gordos, soja e sementes. Para melhor absorção devem ser conjugadas com alimentos ricos em Vitamina C;

Iodo

Suplementação ou sal iodado para atingir as recomendações nutricionais;

Cálcio

Hortícolas de cor verde-escura, leguminosas e produtos fortificados;

Vários destes ingredientes podem ser encontrados nas criações, menus e pratos do seu restaurante vegan em Lisboa preferido – você sabe do que é que nós estamos a falar. Mas em outros casos, como por exemplo o da Vitamina B12, esse aporte pode e deve ser dado através da suplementação ou de alimentos fortificados. Não se identificando riscos, importará antes valorizar mais as vantagens de se ser vegano durante a gravidez:

  • Devido ao consumo de mais fibras e de mais água, o funcionamento do intestino melhora;
  • Ajuda a prevenir doenças como hipertensão, diabetes e obesidade;
  • Evita o aumento de peso;

Assim, associar a dieta vegan a riscos à gravidez é um mito que importa desconstruir. Por outro lado, devemos reforçar as verdades sobre o tema: é inequívoco, porque todas as evidências científicas o concluem, que ser vegan beneficia a vida e a saúde de qualquer pessoa, independentemente do ciclo de vida em que esta se encontra.